tecnologia: é tão bom mas…

Venho pensando muito em como escrever sobre essa tecnologia que tem feito parte das nossas vidas. Pra mim, já não tem volta atrás, não há mais como viver sem muitas tecnologias, especialmente os benefícios e o bem estar que muitos aplicativos do smartphone tem a contribuir: como correr sem o aplicativos de corrida? Fotos sem o editor de fotos? Filmes sem o Netflix? Tutoriais de qualquer coisa no YouTube? E as crianças? Também fascinadas.

A TRIfilha mais velha puxou a frente, quando percebi, no celular velhinho dela estava entrando no YouTube vendo vídeos de meninas da idade dela abrindo presentes e comentando. Logo, a TRIfilha do meio começou a pedir para ver vídeos de um tal Lucas Neto que virou celebridade entre as crianças. Logo, eram as duas vendo vídeos de tutoriais de como fazer massinha de modelar, slime (meleca moderna que não gruda, febre entre as pequenas), como fazer Lol surprise caseira (usando bonequinhas de casa e papel higiênico usando pistas criativas). O próximo passo foi o pedido por ter um canal. E aí, que fazer?

Refleti muito, achei cedo, TRIpai também. Pensei, mas se eu fizer e acompanhar pode ser uma oportunidade de entender e conhecer mais deste mundo, além de ter a chance de participar deste mundo que estão ansiosas em desbravar. Quais os benefícios? Além da inclusão digital, treinar escrita, textinhos, roteiros, criatividade. Problema? As maldades da rede. Como proteger? Bem, a decisão foi fazer, a tortura foi grande para que ajudasse. Ajudei, participei e cedi na minha conta um espacinho para o canal delas. Chamaram de Sistema Toy, porque querem falar de brinquedos e brincadeiras que são de meninos e meninas, como um sistema solar, só que de brinquedos.

Criei junto e estou acompanhando junto. O vídeo que vou compartilhar aqui é o segundo que fizemos uma receita de lanche.

https://youtu.be/ZfP7RHYhwf8

Curtam conosco 😘

Anúncios

Limite com afeto

Semana passada estive palestrando o para uma plateia de pais do colégio do TRIbaby sobre limites. O convite era para um bate papo com as famílias da Educação Infantil tendo este tema como foco. Puxei minha experiência profissional e juntei com a TRIvivência e creio que desacomodei. Quando a coordenadora solicitou este tópico já adverti que ia desacomodar.

Falamos muito de autonomia e a sua importância nas diversas faixas etárias para a auto estima da criança. Imprescindível não parar para pensar no quanto construir esta linha tênue do limite com afeto é um desafio. Esta situação que consegui registrar (acho que vou ser massacrada por isso) é um aperitivo do que todos nós, pais, degustamos diariamente. Especialmente, este foi o segundo ataque de birra/busca de limite/xilique/piti que este ser humaninho viveu este dia. O que fazer? Nunca sabemos ao certo como reagir.

Eu levo sempre para o lado da autonomia, tipo: ah, acha que pode decidir sozinho, então tá, decide então. Nesta situação acima, ele aguentou firme, não cedeu. Já estava ficando tensa porque não vinha. Tivemos que intervir e pegar a “contra vontade”, resultado: choradeira, escândalo e a sensação de estar fazendo errado.

Nesta mesma linha, na mesma manhã, o TRIbaby empacou, deitou no tapete do prédio do TRIvô e não queria entrar. Dei a “chance” de decidir depois de virar as costas, encostar a porta, chamar, fazer ameaça eis que…. levantou e veio. Não tem fórmula, pode ser que outro dia não venha. O desafio é diário. Como dizer não sem permitir que experimente este não? Verdade que conforta saber que não estamos sozinhos nesta tarefa de criar filhos para um mundo, onde o limite é somente ajudar eles a entender até onde podem ir sem machucar ninguém e nem a si mesmos? Cada fase o limite na medida certa, sem sobrecarregar nem sofrer. Possível é, fácil, nunca.

O dia que vim trabalhar com uma filha: a TRIfilha do meio 

Estou emocionada e particularmente agradecida por haver proporcionado esta experiência completa para a Marta: vir passar um dia de trabalho comigo. Isso requer uma viagem de ônibus, uma organização de brinquedos para ae distrair e muito papo sobre o evento.


Fazem semanas que estamos acompanhando o impacto da minha vinda a Bento Gonçalves para trabalhar e dormir duas noites fora na vida do trio: isoladamente está tudo ok. O TRIbaby vem reagindo bem, segue no peito e está bem adaptado na escola. A TRIfilha mais velha tem mostrado ápices de irritabilidade e choro sem por que, intolerância com qualquer ordem, brigando muito com a irmã. No colégio tem se mostrado interessada e muito motivada com a vida escolar.

A TRIfilha do meio, recheio mais gostoso do nosso sanduíche,tem mostrado ainda mais birras em casa e para completar o repertório na escola está diversificado: aprontando (colocando quebra cabeça de molho em água), recusa de fazer algumas atividades, brigas, arremeço de brinquedos. Em conversa com a direção da escola vimos que tudo isto está de acordo com a fase mas também com o momento dela: mãe duas noites fora, irmão bebê que agora começa a roubar a cena (muitas pessoas para vê-lo no carrinho) e a mais velha com demandas de temas, atividades, enfim. Precisávamos de algo concreto, ela tinha que ver na prática como era um dia de trabalho, fotos e vídeos não eram suficientes.

O quadro foi um dos maiores atrativos

Administramos que era feriado, combinamos com a mais velha que outra vez ela vinha (férias de julho não escapa), enfim organizamos a vinda da Marta a faculdade. Agradeço de coração a sensibilidade do meu diretor da faculdade e da minha coordenadora ( Mamãe Toda Hora ), foram incentivadores da minha iniciativa.


Ela participou desde a saida de ônibus (por sinal quase não saímos porque havia esquecido de trazer a certidão de nascimento dela, achei que sendo mãe podia viajar sem documento), curtiu rodoviária, dormiu no colo no ônibus, perguntou quanto ia demorar. Confesso que achei que ela ia se emburrar da demora de 2:30 de viagem, mas não, curtiu tudo atenta.

Chegando em Bento, taxi (pediu bala achando que eram Cabify), rumo à faculdade perguntou se meus colegas iam estar lá. Já sabendo que tinha canetas para o quadro assumiu e brincou de desenhar. Correu pela sala, queria saber os nomes dos alunos e onde sentavam, fez amizade na cantina, com colegas profes bateu altos papos. Na hora da minha aula ela foi curtir os dindos dela. 

Com a tia Ka, a bolacha é garantida

Quando vieram me buscar, ela tava no banco de trás, espiando do atenta  a saída dos estudantes. Aquele olho curioso e atento eram um misto de orgulho com alívio.


Fez muito bem para ela esse contato com o meu trabalho para entender as minhas ausências, meus compromissos, minha profissão de professora universitária e principalmente que também sou importante para outras pessoas além deles. Tive uma pequena experiência de conciliar trabalho e maternidade in loco e foi imensamente gratificante.

 

Como lidar com o tempo longe? Uma ideia concreta para os pequenos

Ainda não comentei aqui, mas faz um mês que assumi o desafio de estar duas noites longe da TRIfamilia para retomar minhas atividades como docente em Bento Gonçalves. Mesmo sendo perto de Porto Alegre, o retorno após a aula se torna inviável. Como estou com atividades segunda e terça, durmo estas duas noites e retorno a quarta de madrugada.

Minha aflição era o TRIbaby: como reagiria? Seguirei amamentando? Ficará bem na escola? (Sim, ele já está na escola lépido é faceiro) Estranhará minha ausência? 

Assim eu levo o TRIO para a escola. Mal chego e já estou ajeitando mochilas para levá-los!

A TRIfilha mais velha se mostrou parceira e compreensiva. Levo ela na escola, almoçamos juntas e saio no ônibus das 16:00. A do TRIfilha do meio que estava se mostrando irritada, com muitos chiliques e contrariando muito e verbalizando coisas do tipo: “não quero que mamãe trabalhe!”.

Pensando nestas reações, conversei muito com ela, semanas a fio, até semana passada tive a ideia junto com ela: vamos colocar batom, tu escolhe as cores e eu vou deixar dois beijos de batom no espelho, de noite, na hora do banho, tu vai apagar só um. No outro dia, no outro banho, vai apagar outro, dai tu vai dormir e quando acordar a mamãe vai estar em casa (chego no maximo 6:30 de quarta).

Sorriso matinal que me acolhe quando chego

Expliquei pro TRIpai e fiquei na expectativa. Nas conversas com o TRIpai durante a minha saída mostraram que a Marta tinha entendido o combinado. Mandei fotos minhas dando aula também. Tava difícil dela entender o que fazia, precisava de algo mais concreto. A diretora da escolinha tem nos apoiado muito no olhar para com os pequenos e me sinalizou que semana passada parecia que a TRIfilha do meio estava mais tranquila com o assunto de “mamãe trabalha”.

Quando chego em casa, encontro este espelho lindo! Minutos depois a Marta vem correndo me mostrar, estava orgulhosa. O TRIbaby faceiro, nem se estressa e se agarra na teta. Sofia também muito feliz com a obra no espelho.

Mesmo sendo psicóloga, não tenho e nunca terei a resposta e a solução para tudo. Para chegar neste resultado foram semanas difíceis. Hoje quando sai deixei beijos em post its nas gavetas deles e expliquei que teriam que procurar e colocar um só na agenda hoje, amanhã igual. Essas surpresinhas deixam a espera mais lúdica, com menos ansiedade e de certa forma me deixa tranquila para seguir a minha carreira. Me sinto muito gratificada por ter uma parceria amorosa do TRIpaimarido que faz acontecer!

O TRIpai se vira TRI bem garantindo que o TRIO esteja tranquila com a minha ausência.