Como lidar com o tempo longe? Uma ideia concreta para os pequenos

Ainda não comentei aqui, mas faz um mês que assumi o desafio de estar duas noites longe da TRIfamilia para retomar minhas atividades como docente em Bento Gonçalves. Mesmo sendo perto de Porto Alegre, o retorno após a aula se torna inviável. Como estou com atividades segunda e terça, durmo estas duas noites e retorno a quarta de madrugada.

Minha aflição era o TRIbaby: como reagiria? Seguirei amamentando? Ficará bem na escola? (Sim, ele já está na escola lépido é faceiro) Estranhará minha ausência? 

Assim eu levo o TRIO para a escola. Mal chego e já estou ajeitando mochilas para levá-los!

A TRIfilha mais velha se mostrou parceira e compreensiva. Levo ela na escola, almoçamos juntas e saio no ônibus das 16:00. A do TRIfilha do meio que estava se mostrando irritada, com muitos chiliques e contrariando muito e verbalizando coisas do tipo: “não quero que mamãe trabalhe!”.

Pensando nestas reações, conversei muito com ela, semanas a fio, até semana passada tive a ideia junto com ela: vamos colocar batom, tu escolhe as cores e eu vou deixar dois beijos de batom no espelho, de noite, na hora do banho, tu vai apagar só um. No outro dia, no outro banho, vai apagar outro, dai tu vai dormir e quando acordar a mamãe vai estar em casa (chego no maximo 6:30 de quarta).

Sorriso matinal que me acolhe quando chego

Expliquei pro TRIpai e fiquei na expectativa. Nas conversas com o TRIpai durante a minha saída mostraram que a Marta tinha entendido o combinado. Mandei fotos minhas dando aula também. Tava difícil dela entender o que fazia, precisava de algo mais concreto. A diretora da escolinha tem nos apoiado muito no olhar para com os pequenos e me sinalizou que semana passada parecia que a TRIfilha do meio estava mais tranquila com o assunto de “mamãe trabalha”.

Quando chego em casa, encontro este espelho lindo! Minutos depois a Marta vem correndo me mostrar, estava orgulhosa. O TRIbaby faceiro, nem se estressa e se agarra na teta. Sofia também muito feliz com a obra no espelho.

Mesmo sendo psicóloga, não tenho e nunca terei a resposta e a solução para tudo. Para chegar neste resultado foram semanas difíceis. Hoje quando sai deixei beijos em post its nas gavetas deles e expliquei que teriam que procurar e colocar um só na agenda hoje, amanhã igual. Essas surpresinhas deixam a espera mais lúdica, com menos ansiedade e de certa forma me deixa tranquila para seguir a minha carreira. Me sinto muito gratificada por ter uma parceria amorosa do TRIpaimarido que faz acontecer!

O TRIpai se vira TRI bem garantindo que o TRIO esteja tranquila com a minha ausência.

A agridoce retirada do bico: missão em andamento 

Desde que tenho filhos sempre ouvi dizer que o melhor era que os bebês nem chupassem bico/chupeta porque depois ficava difícil retirar. O mesmo se aplica ao chupar o dedo. No caso da TRIfilha mais velha, introduzi o bico ainda no hospital pois essa praticamente comia os dedos aos dois dias de vida. Não sabia o quão bom era acalmar bebê quando este usa chupeta: o ruim é quando se perde a chupeta pelo caminho ou pela casa, ah, isso pode ser fatal. Recursos para diminuir este problema: cordinha para pendurar o bico, ter vários exemplares em distintos lugares ou aguentar firme.

Minha história com o bico é antiga

O tal de aguentar firme serve para o processo de retirada. Quando a criatura é apegada ao bico, retirar exige um quoeficiente de tolerância ao choro/manha/firula elevado. Com a TRIfilha mais velha Sofia, em primeiro lugar, combinei que o bico seria deixado para o Coelho da Páscoa para esse entregar aos bebês. Aceita essa proposta, aproveitei a deixa da paixão pela Tinker Bell e comprei uma cartela de adesivos lindos e brilhosos, cada vez que vinha a fissura do bico, mostrava um belo adesivo, colava na mão para que ela olhasse e tentasse esquecer a vontade. Ela tinha uns 2 anos e meio na época. Diria que em uns 5 dias a questão estava resolvida. Esse período teve mantra “biiiiico, biiiiico, biiiiiico” em horários diversos, sobretudo nas horas de cansaço. Fiquei insegura pois foi uns dias antes da cirurgia do ouvido para colocar o dreno e o bico poderia ser um conforto, mas por sorte ou maturidade, nem foi mencionado. Processo fechado com êxito.

Sofia com um semana de vida firme no bicão

Com a TRIfilha do meio está sendo bem complicado. Por orientação da dentista, a retirada do bico deveria ser feita antes dos 3 anos de idade para que não houvesse prejuízo na dentição, fala e alimentação. Com a Marta, após o nascimento do Benicio, teve a retirada das fraldas. De verdade foi na hora certa, muito pouco escape. Pensava em avançar na retirada do bico próximo ao ao Natal para aproveitar o Papai Noel. Ela até teve uma conversa com o bom velhinho, mas na hora de dormir pedia o bico sem nenhum convencimento que valia a pena entregar ao Papai Noel aquele conforto. Combinamos que o bico só apareceria à noite, na cama, na hora de dormir. Nos primeiros dias ela caia, já pedia o bico, ficava sem ter o que fazer, pedia o bico, enfim, usava o bico para suprir qualquer demanda que não só o “relax” de antes de dormir. Se jogou no chão várias manhãs, berrou, mas como o combinado é de noite, não cedemos. Até que uma noite caiu o bico da boca de noite e eu tirei da cama. Quando ela percebeu, entrou em desespero, chorou, disse que ela não ia dar para o Papai Noel, acalmei e expliquei que se ainda não queria dar, podíamos esperar o coelho.

Marta e seus bicos

Não está sendo fácil que que bate o cansaço o bico acalma mesmo. De dia, na hora do soninho faz falta, tento não dar. Tento pensar nos benefícios, na melhor dicção, dentes . Digo a ela que só bebê usa, que ela é menina grande, que nunca vi a Elza da Frozen chupar, às vezes cola outras nem bola. Ela nos tortura com o mantra (vídeo ilustra). Ter cedido e voltado atrás me deu mais certeza que não adianta atropelar as coisas mesmo que o “ter que retirar antes dos 3 anos” estivesse urgindo (faz 3 mês que vem). Com a Marta é deixar ela pensar que ela domina a situação mas quem domina somos nós: de manha ela não entrega o bico por conta, temos que pedir e fazer ela entregar, não puxa nem arranco, dou uns segundos mais, conto até 5 e ela entrega como se ela tivesse decidido. Ainda não sei quando ela deixará, acho que está no processo e que deverá ser em breve. Será que estou sendo permissiva? Ser mãe é isso, são mais dúvidas que certezas. ​

​E o Benicio? Esse chupa o bico se tem, se não tem vai chupando a mão, os dedos, brinquedo, o que estiver a mão. Vamos ver o que nos aguarda com o TRIbaby neste setor.

Quando uma mãe que amamenta viaja…

Hoje, a convite de uma aluna da UnB, fui à Brasília ser banca de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e do Trabalho. Ontem de noite arrumei uma mochilinha modesta com o iPad, a tese e uma máquina de tirar leite. Sim, o desafio era passar o dia todo longe do TRIbaby pela primeira vez sendo que ainda amamento. Já fiz isso quando a TRIfilha mais velha Sofia tinha 8 meses. Naquela ocasião um congresso em Floripa, também fui passar o dia e amamentava. Nem lembrei de levar a máquina de tirar leite, resultado: um peitão imenso, dolorido e angustiado. Está certo que a demanda de um bebê de 8 é menor que a de um de 5 e hoje entre banca, almoço de trabalho e vôos enchi meus peitos de leite e tive que dar conta de além do mais tirar o leite.

A história começa ontem de noite: depois de tudo preparado ainda tirei um leite. Celular para despertar, banho e cama. Pensei, amanhã acordarei antes do despertador para dar um mamá antes de sair, correto? NÃO! Acordei por acaso 5:54 (errei na função despertar, vai tocar quinta que vem) e o embarque começava às 6:05. Me enfiei na ducha (lavar cabelo que ontem não rolou!) e botei o TRIpai a captar um Uber. Consegui chegar 6:25 e embarquei entre os últimos da fila. Ufa! O peitão já estava pronto para explodir mas não consegui nem amamentar e nem tirar antes de sair. Fui tirar tranquilamente as 9:30 na casa da colega que me recebeu. 

Depois do almoço de trabalho, bate papo com colegas queridas sobra um tempinho e consigo esvaziar o peito pela segunda vez. Beleza, depois da banca que será as 14:30 terei tempo de tirar antes do vôo que é as 20:05. Banca com cinco membros, a doutoranda uma gestante de 36 semanas que se saiu muito bem, nada ofegante como eu com 36 semanas. Algumas considerações e discussões interessantes, trocas positivas e quando vi eram 17:30. O processo se encerrou, minha colega me convida para uma tapioca antes de ir para o aeroporto, pergunto: dá tempo? Ela disse, sim, fica tranquila. NÃO, Brasilia tem muita tranqueira na sexta-feira e a minha colega fez voltas impressionantes naquele plano piloto para chegar no aeroporto e fugir dos engarrafamentos. E o peito? EXPLODINDO! O embarque começava 19:25 cheguei 19:38.

Teve até video conferência com a Marta

Enfim, corri, pedi licença, quase perdi o sapato, apitou o controle, tive que tirar o sapato, passar de novo, botar o sapato e depois e correr para o embarque. Quando chego, fila absurda e ainda não começou o embarque, pergunto se dá tempo de ir no banheiro porque ainda tinha vontade de fazer xixi e a resposta: SIM! Vejo um banheiro de cadeirante e tenho a sensação que cheguei no paraíso: tomada, pia e vaso sanitário. Tomada para colocar a máquina, sanitário para o xixi e pia para esvaziar o peito. A ideia era aproveitar a fila e tirar leite dos dois peitos ao mesmo tempo segurando a camisa embaixo do queixo. Êxito total! Esvaziei um pouco, fiz meu xixi, voltei para a fila e embarquei.

Essa novela toda para dizer que ser mãe e trabalhar é compatível, emocionante e desafiador. Fiquei pensando como seria se pedisse um tempinho, um intervalo durante a banca para tirar um pouco de leite. Como seria a reação das colegas de banca? Já fiz concurso público com a TRIfilha mais velha com dois meses de idade, no auge de um calor de verão. O TRI pai deu conta, ficou com a Sofia pela Campus e quando fui amamentar fui acolhida por uma das professoras da banca em sua sala com ar condicionado. Tive que ouvir de um dos professores que não teria privilégio por sair para amamentar, que a escolha era minha. Hoje sei que é direito de amamentar nestas situações e em outras mais.

Essa é a cara de quem conseguiu embarcar e tirar um leitinho antes

Esta minha ida para Brasilia rendeu este post e ía render ainda mais: tinha um encontro marcado para conhecer pessoalmente a minha companheira blogueira de trimaternidade Luíza Diener do blog Potencial Gestante. Como eu, com três filhos a Luíza ela se vira como dá, tem um senso de humor incrível. Já deixamos combinado um papo virtual…paciência, o dia só tem 24 horas e as demandas de filhos, trabalho, viagem, peitos cheios de leite nos atropelam.