Quando os filhos pedem limite

Faz muito tempo atrás, para ajudar a Sofia a se organizar, fiz com ela um quadro de tarefas. Tarefa cumprida, ganhava uma estrelinha. Ela era pequenininha, nem lembro ao certo quanto ela tinha, sei que ajudou naquele momento. Estes dias, por conta própria, pegou um papelão e começou a construir um novo quadro, chamou de “quadro dos afazeres”. Ela mesmo foi criando, recortando estrelas e me pedindo o material. Aquilo foi tomando uma proporção que ela já quis fazer um espacinho para a Marta entrar no jogo. Quando a Marta chegou da escola ela mostrou que cada tarefa cumprida, uma estrela. Escolheu: tomar banho, comer tudo, guardar brinquedos e se vestir. Ela sabe que são tarefas que elas custam a fazer, que tenho que ficar repetindo e implorando para que façam, cansativo para todo mundo.​

​Nesta mesma semana, venho enfrentando uma doce Marta que oscila de humor de chocolate amargo ao doce de leite em segundos e isto sempre culmina quando ela tem que cumprir alguma tarefa, ah, dai ela vira bicho. Eu tento com conversa, tento de novo, negocio, ofereço algo um troca, mas tem vezes que tem que ser a força. Escolha da roupa, do copo , do sapato, do prendedor de cabelo… Tudo é passivel de chilique. Até a Trifilha mais velha passar por perto, sobra até pra ela. Fazem uns dias que a Marta tem partido para o ataque corporal: bate, puxa cabelo, empurra, enfim. Fico tão brava e sentida porque na hora que eu aparto saem as duas chorando e o que quero é que parem os gritos, especialmente quando o Tribaby está grudado no peito (isso já aconteceu!) durante o embate.

“Não sou bebê, sou menina ‘gande’l

Num destes chiliques, já havia separado umas duas vezes e a Marta seguia provocando e encarando a Sofia, na última dela, tirei ela do ambiente e repiti o mantra: isso não se faz, é feio, blá, blá, blá. Segundos depois já estava fazendo de novo. Desta vez, quando tirei ela, começou a me chutar, aí, já sem saber mais o que fazer segurei as pernas dela firme e disse: só solto quando parar, vou contar até três, no três eu solto, ok? Ela aceitou e parou. Gente, que esgotamento disso!

Mesmo sabendo que ela e qualquer criança cansada (esse episódio foi depois das escolas) ficam rançosos e briguentos eu não posso tolerar essas agressões. Ela precisa saber e entender que bater dói, machuca. Na escola, já soube que ela não tem estas reações. Entendo que em casa a briga pelo território é mais acirrada. Vejo que esta ação de segurar forte surtir efeito é como se eu estivesse aceitando o pedido de limite que ela pede ao não entender seu descontrole quando está com sono. 

Benicio de olho nelas
Sofia tem claro o limite e brinca de quadro de combinações e recompensas se testando. Marta está desenhando como lidar com limites e nos pede através destas ações corporais a confirmação de até onde ela pode ir.  Não é fácil não ceder, deixar chorar, berrar, acordar o bebê. O elástico estica até onde as vezes acho que não vou suportar, esgota. Sei que é fase e que passa, mas me sinto bem compartilhando com outras mães e pais nossa batalha por criar crianças que tolerem os limites da vida e convivam em sociedade.

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