Quando sair com as crianças nos exige desapego de rastros 

Quem me conhece sabe que não sou mulher de me entregar ao primeiro desafio. Ter ter filhos é um deles. Este post é quase um grito de liberdade, acho que muitas/os vão se identificar e vão dar este grito também.

Quando a gente tem um, a gente tem mais tempo do que imagina. Aliás, venho tentando fazer cria de tempo e não tenho conseguido. A gente acha que não vai conseguir, que aquele bebê nos toma muito tempo, que mal se consegue tomar banho que a criaturinha já começa a choramingar. Mesmo assim conseguimos recolher as roupas do banheiro depois do banho, estender a talha, passar um hidratante no rosto, tirar o lixo do banheiro, enfim, coisas do cotidiano. Para sair, depois de umas semaninhas, pegamos a prática e preparar a bolsa do bebê e a nossa se torna uma tarefa adorável. Eu chegava a pensar lá pelo terceiro mês da Sofia: por que eu demorava tanto com isso? Inflava o peito e me achava “a descolada” que conseguia fazer tudo isso, gente, ter bebê é barbada. Passando os meses, novos desafios se apresentavam: bebê que começa a caminhar e começa a mexer em tudo! Aiiiiiiii minha coleção de DVDs que ficava na prateleira baixa. Aiiiiiii minhas panelas no armário da cozinha. Aiiiiiii os produtos de limpeza na área…caixa de areia dos gatos…. A mala do bebê não está pronta, esta bagunça toda pela sala e eu atrasada. Arrumo tudo, arrumo a mala, pego a Tribabymaisvelha e saio mais atrasada ainda.

Foto: Giselle Sauer
Quando a gente tem dois a premissa é a seguinte:  NÃO VOU CONXEGUIR COM ESSAS DUAS SOZINHA DE JEITO NENHUM. Aquele bebê que chora também precisa ter sua mala pronta nem que seja para ir na esquina (vai que rola uma vomitança). Aquela irmã mais velha também precisa ter sua micro mochila com coisas do tipo copo, roupa extra, lenços umedecidos, bico (se chupar), …. Esta mesma também não para de falar e perguntar. A Tribabydomeio chora de cólica, mesmo passando os dois meses e a situação de sair se torna mais tensa. Vontade zero de sair. A missão se aborta vãrias vezes, a não ser por compromissos do tipo pediatra, vacina, etc. bater pernas com a dupla se fazia inviável. Eu lavei o rosto? Sei lá,devo ter lavado. Banho com certeza tomei porque faço antes de dormir. Dentes? Chiclés, na dúvida, podem resolver. Aquele tempo que eu achava que não tinha aqui aqui parece que nunca existiu. Roupas pelo chão? Muitas, de diversas faixas etárias. Toalhas úmidas pelas camas? Pode acontecer. Lixo do banheiro transbordando? Passando um dia isso acontece e se não se troco naquele momento que lembrei só mais tarde e pode ser tarde. Arrumar a Trifilhamaisvelha para a escola com uma bebê parecia missão impossível. Muitos meses os Triavós vinham me ajudar quando o Tripai não podia. Quando o Tripai estava parecia uma barbada, era ele bater à porta que o caos se estabelecia.

E com três? Aff, com três o estado de Trimãe hipervigilante parece se potencializar: atenção para as necessidades de três sereshumaninhos de três faixas etárias diferentes. Temos a mala do Tribaby e a mochila da Trifilhadomeio. Dependendo do destino, a Trimaisvelha pode só sair com a roupa do corpo. Marta em desfralde precisado calcinhas, lenços e roupas. Ah, o bico, se ele não for o mantra repetitivo “bico, bico, bico, bico, bico” na hora do desespero vai nos enlouquecer. Os lenços dela podem ser os mesmos do Tribaby. O segredo é que os não se repitam. Se alguém estiver chorando, brigando ou pedindo bico incessantemente pode ser que a concentração para arrumar isso tudo nos faça esquecer algo importante como uma muda de roupa para o Tribaby. Todos prontos, eu ainda de pijama. Corro para me vestir antes que alguém comece a chorar, isso pode ser uns dois minutos. Maquiagem? Tenho um kit na mochila do Benicio, no carro dou um jeito. Dentes eu escovo porque coloco a pasta nas escovas de todos e escovo junto evitar de esquecer. Acontece de alguém sair sem escovar dentes ou cabelo. Quando o Tripai está junto a estratégia é que ele desapareça com no minimo dois sereshumaninhos para eu conseguir ajeitar o que falta é dentro do possível recolher os rastros. Ah, estes rastros…

Costumo dizer que se for dar conta de toda essa arrumação kids e dos rastros nem saio, não dá tempo. Aqui não sou nenhuma super nanny nem uma master organizator que tudo está sempre no seu lugar após o uso. Tento, brigo, me repito, faço as maiores ajudarem, mas nem sempre correspondem. Canso de me repetir e às vezes me desapego e saio. Bato a porta com  mesa do café posta, fralda pelo trocador, camas sem arrumar.  Eu e o Tripai temos esta parceria, se a casa estiver com ares de que caiu uma granada, saímos, mas na volta um se encarrega disso e o outro das crias. Às vezes, quase sempre dá certo. Desde que assumi que é assim, não brigo comigo mesma que teria que estar tudo organizado, perfeito, limpo. Essa não é a realidade e não preciso sofre por isso. Preciso que estas crianças entendam que nos esforçamos para que a roda ande e que elas precisam ajudar para que isso aconteça. Brinquedos guardados antes de sair, roupas usadas no cesto, enfim, tarefas que podem assumir. Não somos perfeitos e nem queremos ser. Só queremos criar pessoas que valorizem estes detalhes da rotina, que saibam fazer é que entendam as consequências de não fazer. 

Digo que este desapego é um grito de liberdade porque a perfeição não existe em famílias que criam filhos para o mundo. Assumir isso tudo é como tirar um peso das costas, é libertador. Quem nunca assumiu não sabe a delicia que está perdendo.

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