O Lugar da criança nos restaurantes

Recentemente uma apresentadora de TV teceu comentários enfatizando que dava razão ao proprietário de restaurante que não permitia a entrada de crianças em seu estabelecimento. Ela defendeu que esta opção é corriqueira na França como se isto justificasse a escolha. Há anos estive na França e numa das vezes estivemos com a nossa sobrinha Ana Laura e seus pais.  Na época com 2 anos, no meio da Provence, além de picnics fomos a restaurantes de todos os tipos. Nunca fomos barrados por estar com criança e sabendo disso, a minha cunhada preparou a menina para isso, deu tudo certo. Pensava que quando tivesse filhos gostaria de compartilhar mesas de restaurantes e sabores diversos com eles.  

Ultimamente estamos enfrentando dificuldades sérias com a TRIfilha do meio com o comportamento na mesa. Começa a comer e levanta para inventar qualquer coisa mesmo comer: pegar água, caminhar, brincar,… Mesmo com fome, o padrão repete. Tratando-se de uma adolescente de dois anos (já falei sobre o terrível two dela https://trimaesendomaedetres.wordpress.com/2016/07/18/terrible-two-e-a-estreia-da-marta-no-cinema/) contrariar é o objetivo: todos na mesa, ela fora, todos terminam e ela volta. Isso sem contar com as escolhas por determinados alimentos e o desinteresse por provar novos. Encaro a experiência na mesa de casa como um treinamento para outros lugares: casa de amigos, restaurantes, festas,…

Como alguns de vocês sabem, além de TRImãe, tenho a gastronomia e a cozinha como hobby, inclusive tenho alguns relatos no http://gastronomiaecinema.blogspot.com.br. Assim, fica claro que curto comer bem, testar receitas e experimentar novos sabores seja em casa e/ou restaurantes. Esse é um valor que consideramos na educação das crianças, já que gostamos e queremos que gostem e curtam conosco. Não é a toa que a Sofia ama couscous marroquino, Salmão, aprecia o aroma da baunilha, diferencia temperos, enfim, prato único não é com ela. Com a Marta, a sensibilização foi a mesma desde o início, mas ela aos poucos foi se tornando seletiva que para alguns verdes ela diz “eca” e não come, não demonstra interesse ou curiosidade por novos sabores, prefere o básico arroz com feijão. Já em restaurantes, dos bem simples, de buffet, fico tensa e de sobressalto quando ela começa a mexer nos guardanapeiros, começa a tomar o suco e quase vira o copo, começa a abrir os envelopes de sal ou açúcar. Ufa! Para comer, só o basiquinho mesmo, sem muita experiência gastronômica.

Qual a condição de levar uma criança dessas para um restaurante? Bem, do jeito que está a coisa não levaria a nenhum lugar silencioso, romântico ou exótico. Penso que cada família deve conhecer e respeitar seu filho ao submeter sua capacidade de se comportar em locais que exijam silêncio e paciência para realizar a refeição. Acho um absurdo levar a criança num lugar que exija dela um comportamento que sua faixa etária não dê conta.

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Marta curtindo um feijãozinho pela Cidade Baixa (bairro boêmio de Porto Alegre)
Mesmo que curtam área kids, não priorizamos nossa a escolha por locais de alimentação só por isso: gostamos que aprendam como funciona a dinâmica do buffet, de esperar a sua vez na fila, de não ficar atrasando os que vêm atrás. Da mesma forma com o cardápio nos restaurantes a la carte: se escolhe, se pede, se espera e se come. Nesse meio tempo se distrai conversando, tomando um suco, se houver muita agitação dando uma volta pelo lugar, enfim, tirando o holofote da mesa para recolocar na hora do show: quando chegar o prato. Não temos o costume de usar o tablet ou o celular para jogos ou filmes nestas ocasiões: o tablet é só nos fins de semana em horas combinadas. Por enquanto este funcionamento dá certo, vamos ver até quando sustentamos isso. Tem lugares bacanas, como esse das fotos, com ampla área para as crianças extravasarem, curtirem aviões, brinquedão e restaurantes em volta. O difícil é sentarem para comer, resta muita negociação.

Para lidar com estas dificuldades, por gostar de estudar e de cozinhar venho lendo muito sobre o assunto. Já estou no segundo livro da Karen Le Billon que trata da alimentação das crianças francesas famosas por comerem de tudo e terem boas maneiras na mesa. Confesso que às vezes não tenho paciência de aplicar tudo, mas persisto como pois me encho de orgulho quando apreciam alguma receita top. Gosto de brincar de preparar alguma receita típica e tento montar o cenário de acordo, acho que tudo isso cria uma atmosfera para curtir e degustar. 

Também curto que preparem comigo, saibam o que vai, quantidades, a sujeira é grande mas confio que isto contribui para o interesse. Do mesmo jeito com o supermercado ou feira: elas vão me ajudando para conhecerem os alimentos. O senta e levanta da Marta só o tempo ajudará a ter paciência, até lá, seguimos no treinamento no cenário e no palco.

PS:postar tem sido tarefa difícil, demoro dias para completar a pastagem, as noites as duas andam nos raptando, histórias, insônias, visitas a nossa cama,  adormecemos sem dar tempo de fazer algo para nós, assistir  um jornal ou dormir vendo um filme logo no início. Não é fácil minha gente, mas seguimos o baile 😉

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