Categoria: Educação

O dia que vim trabalhar com uma filha: a TRIfilha do meio 

Estou emocionada e particularmente agradecida por haver proporcionado esta experiência completa para a Marta: vir passar um dia de trabalho comigo. Isso requer uma viagem de ônibus, uma organização de brinquedos para ae distrair e muito papo sobre o evento.


Fazem semanas que estamos acompanhando o impacto da minha vinda a Bento Gonçalves para trabalhar e dormir duas noites fora na vida do trio: isoladamente está tudo ok. O TRIbaby vem reagindo bem, segue no peito e está bem adaptado na escola. A TRIfilha mais velha tem mostrado ápices de irritabilidade e choro sem por que, intolerância com qualquer ordem, brigando muito com a irmã. No colégio tem se mostrado interessada e muito motivada com a vida escolar.

A TRIfilha do meio, recheio mais gostoso do nosso sanduíche,tem mostrado ainda mais birras em casa e para completar o repertório na escola está diversificado: aprontando (colocando quebra cabeça de molho em água), recusa de fazer algumas atividades, brigas, arremeço de brinquedos. Em conversa com a direção da escola vimos que tudo isto está de acordo com a fase mas também com o momento dela: mãe duas noites fora, irmão bebê que agora começa a roubar a cena (muitas pessoas para vê-lo no carrinho) e a mais velha com demandas de temas, atividades, enfim. Precisávamos de algo concreto, ela tinha que ver na prática como era um dia de trabalho, fotos e vídeos não eram suficientes.

O quadro foi um dos maiores atrativos

Administramos que era feriado, combinamos com a mais velha que outra vez ela vinha (férias de julho não escapa), enfim organizamos a vinda da Marta a faculdade. Agradeço de coração a sensibilidade do meu diretor da faculdade e da minha coordenadora ( Mamãe Toda Hora ), foram incentivadores da minha iniciativa.


Ela participou desde a saida de ônibus (por sinal quase não saímos porque havia esquecido de trazer a certidão de nascimento dela, achei que sendo mãe podia viajar sem documento), curtiu rodoviária, dormiu no colo no ônibus, perguntou quanto ia demorar. Confesso que achei que ela ia se emburrar da demora de 2:30 de viagem, mas não, curtiu tudo atenta.

Chegando em Bento, taxi (pediu bala achando que eram Cabify), rumo à faculdade perguntou se meus colegas iam estar lá. Já sabendo que tinha canetas para o quadro assumiu e brincou de desenhar. Correu pela sala, queria saber os nomes dos alunos e onde sentavam, fez amizade na cantina, com colegas profes bateu altos papos. Na hora da minha aula ela foi curtir os dindos dela. 

Com a tia Ka, a bolacha é garantida

Quando vieram me buscar, ela tava no banco de trás, espiando do atenta  a saída dos estudantes. Aquele olho curioso e atento eram um misto de orgulho com alívio.


Fez muito bem para ela esse contato com o meu trabalho para entender as minhas ausências, meus compromissos, minha profissão de professora universitária e principalmente que também sou importante para outras pessoas além deles. Tive uma pequena experiência de conciliar trabalho e maternidade in loco e foi imensamente gratificante.

 

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Como lidar com o tempo longe? Uma ideia concreta para os pequenos

Ainda não comentei aqui, mas faz um mês que assumi o desafio de estar duas noites longe da TRIfamilia para retomar minhas atividades como docente em Bento Gonçalves. Mesmo sendo perto de Porto Alegre, o retorno após a aula se torna inviável. Como estou com atividades segunda e terça, durmo estas duas noites e retorno a quarta de madrugada.

Minha aflição era o TRIbaby: como reagiria? Seguirei amamentando? Ficará bem na escola? (Sim, ele já está na escola lépido é faceiro) Estranhará minha ausência? 

Assim eu levo o TRIO para a escola. Mal chego e já estou ajeitando mochilas para levá-los!

A TRIfilha mais velha se mostrou parceira e compreensiva. Levo ela na escola, almoçamos juntas e saio no ônibus das 16:00. A do TRIfilha do meio que estava se mostrando irritada, com muitos chiliques e contrariando muito e verbalizando coisas do tipo: “não quero que mamãe trabalhe!”.

Pensando nestas reações, conversei muito com ela, semanas a fio, até semana passada tive a ideia junto com ela: vamos colocar batom, tu escolhe as cores e eu vou deixar dois beijos de batom no espelho, de noite, na hora do banho, tu vai apagar só um. No outro dia, no outro banho, vai apagar outro, dai tu vai dormir e quando acordar a mamãe vai estar em casa (chego no maximo 6:30 de quarta).

Sorriso matinal que me acolhe quando chego

Expliquei pro TRIpai e fiquei na expectativa. Nas conversas com o TRIpai durante a minha saída mostraram que a Marta tinha entendido o combinado. Mandei fotos minhas dando aula também. Tava difícil dela entender o que fazia, precisava de algo mais concreto. A diretora da escolinha tem nos apoiado muito no olhar para com os pequenos e me sinalizou que semana passada parecia que a TRIfilha do meio estava mais tranquila com o assunto de “mamãe trabalha”.

Quando chego em casa, encontro este espelho lindo! Minutos depois a Marta vem correndo me mostrar, estava orgulhosa. O TRIbaby faceiro, nem se estressa e se agarra na teta. Sofia também muito feliz com a obra no espelho.

Mesmo sendo psicóloga, não tenho e nunca terei a resposta e a solução para tudo. Para chegar neste resultado foram semanas difíceis. Hoje quando sai deixei beijos em post its nas gavetas deles e expliquei que teriam que procurar e colocar um só na agenda hoje, amanhã igual. Essas surpresinhas deixam a espera mais lúdica, com menos ansiedade e de certa forma me deixa tranquila para seguir a minha carreira. Me sinto muito gratificada por ter uma parceria amorosa do TRIpaimarido que faz acontecer!

O TRIpai se vira TRI bem garantindo que o TRIO esteja tranquila com a minha ausência.

Terrible two e a estréia da Marta no cinema

Quando a Sofia passou pelos terríveis dois anos ou também conhecido como terrible two lembro do Ítalo dizendo: onde foi parar nossa Sofia? Educada, ótima parceira de restaurante ou supermercado tinha se transformado naquelas crianças birrentas que tanto tememos que nossos filhos virem. Um episódio que ficou na minha memória foi uma noite em que nós dois estavamos na cama e ela na sala vendo o Mickey. Provavelmente cansados dos chiliques e do corpo mole (a melhor expressão para quando pegamos a pelo braço e a criança se amolece e se atira no chão) tipo 22h, sem ânimos para embate. Algo errado estava acontecendo e tinhamos que agir: levamos de arrasto para o quatro a guria berrando “Mickeyyyyyyyy”. Depois deste dia não tinha mais TV depois das 21:00 e o Mickey sumiu misteriosamente da nossa casa (ele voltou mas com menos força uns anos depois).

Fora isso, lembro de quando a Marta nasceu algumas rebeldias típicas da fase porém mais controláveis. A Sofia tinha 3 anos e 5 meses e já era mais fácil de dialogar. Alguma vez se meteu embaixo da mesa para não tomar banho ou tentou ver desenho fora do horário, deu para superar tanto que não recordo de nenhum outro evento. 

Com a Marta os “terrible” estão bem terríveis. Não tenho dúvida que há diferenças de personalidade e temperamento jogando forte. Fora isso, tem a faixa etária que urge por autonomia e a conquista da fala da menina para conseguir ou negociar o que quer ainda não subtitui o choro e grito do bebê. Temos ainda na bandeja um recém nascido (nosso Tribaby) tentando ganhar espaço entre as Trimanas. Em resumo, temos uma linha de batalha forte: oferece o copo azul, quer o verde e chora e se escabela por isso; vamos para o banho não deixa lavar o cabelo e chora e berra, vai para a mesa comer, se não gosta, cospe ou joga no chão. Que horror, essa criança não tem limite! Tem, só que está testando…e como!

Respeitamos está busca de independência com segurança (permitimos que faça aquilo que ela consegue ou treinando conseguirá , por exemplo tomar em copo normal, servir água, mexer o Nescau). Ao mesmo tempo nos desdobramos para dar o colo que ainda a Marta bebê quer. 

Vemos que quanto mais oferecemos a chance de escolher sobre algo mais colabora (oferecer a escolha sabendo que quem escolhemos fomos nós mas ela acha que foi ela: tu escolhe calça branca ou preta. Comer ou não comer, banho ou não banho não podem ser opções pois são obrigações). Bater de frente é pior: o lema é se berrar não tem conversa, só voltamos a conversar quando parar a gritaria. 

A ida ao cinema com os amigos da Sofia foi uma oportunidade da Marta experimentar um programa de criança grande acompanhada da irmã. Estava achando que era cedo, mas vi que era o momento e deu certo. Foi bem, ficou no colo, pediu bico, quase dormiu mas aguentou até o final (Procurando Dory para ela era um filme de peixe, mas valeu mesmo assim!). Saímos para pegar pipoca no meio para e restaurar a atenção. Depois do filme, teve sorvete e o programa foi completo pois consegui estar a sós com elas por algumas horas. Nestas situações parece que os terrible desaparecem! Chegou em casa, brincou com a Soso e quando percebi que estava cansada já agilizei o banho: com cansaço não tem quem consiga evitar a gritaria e é preciso cortar antes que a adolescente surja.

Benicio também deu o salto de independência dele: tomou 80 ml de leite materno que havia estocado na mamadeira pela primeira vez. Segundo o Tripai fizeram uma tarde de meninos vendo Discovery Turbo.