Quando um filho adoece e para ficar bem precisa de um procedimento cirúrgico

Este post não será novidade para muitos e com certeza será unanimidade: ter um filho sofrendo com alguma dor é dor que mãe carrega, sente e sofre junto.

Hoje estivemos no hospital com a Marta para um procedimento bastante corriqueiro: retirada de adenóide e colocação de dreno ou tubo de ventilação no ouvido (não se percebe, fica lá no tímpano, deve ter uns 3 mm). Este procedimento já realizamos com a Sofia quando ela tinha seus 2 anos e meio para solucionar as otites de repetição que ela sofria. Era muita dor de ouvido que nada tem que ver com molhar ouvido no banho e sim com uma anatomia de ouvido que não ventila e retém secreção de rinite alérgica. No caso dela, o uso de antibióticos, dores e rinites praticamente se solucionaram. Nem lembra como foi.

Para Marta, este foi o terceiro procedimento: ano passado fez duas vezes, chegou ao ponto de expulsar o dreno de tanta secreção que fazia. Agora, conforme a nossa otorrino, a retirada da adenóide é indicada quando esta está aumentada ou em caso de re-colocação de dreno (caso da Marta). O prepararo pré-cirúrgico de jejum foi relativamente tranquilo, jantou e mamou às 23:00. Para darmos atenção 100% a ela, contamos com o apoio dos triavós que receberam a Sofia para o pernoite com direito a bolo de cenoura, pipoca, pijama novo e outras regalias.

A conversa com a trifilha sobre o procedimento foi fundamental. Esse papo  aconteceu desde os exames de sangue que eram necessários para a cirurgia: foi explicado que íamos a um lugar, que tinha moças de branco como a doutora, que ia fazer um pique no braço dela (semana anterior eu tinha feito e mostrei a elas, ajudou na compreensão), que era como um mosquito brabo, que ia doer um pouco e que era rápido. Ela foi o caminho todo perguntando se ia fazer pique, se tava quase chegando. Já no local, quando fomos chamados, foi caminhando, mexeu nos brinquedos (sala especial para as crianças faz a diferença) e quando a coletadora entregou pra ela um tubinho para ela segurar, pediu para ela subir no colo do pai ela já saiu levantando a manga. Chorou, não se debateu e nem resistiu, quando terminou, perguntou: “deu?”.

Sobre hoje, conversamos que os médicos neste lugar que íamos se vestiam de azul, que ela e o papai iam colocar uma roupa e uma toca ( desta vez, pela gestação não entrei no bloco) e que a doutora ia deixar o ouvido dela bem bom, que não ia doer mais. Na recuperação, depois de uns 40 minutos de procedimento, chorou por uma hora quando acordou pelo efeito da anestesia, querendo arrancar os fios, acesso e se debatendo. Assistiu alguns desenhos no ipad, reclamou de dor na boca e só teve alta quando estava bem acordada, depois de se alimentar e fazer xixi, umas 6 horas depois.

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Descanso da corajosa

Sabemos que teremos dias complicados pois na cirurgia foi visto que havia muita secreção e para prevenir terá que tomar duas doses de antibiótico injetável pós-alta. Os dois primeiros dias podem ser de incomodo e dor. Estamos preparados para dar todo o carinho e atenção. Conto que o Benício fique mais uns dias na barriga (37 semanas hoje!) e que a Sofia seja compreensiva. Sem dúvida que pela confiança que temos na otorrino (obrigado Larissa Enéas!!!!) e na segurança que este procedimento é o caminho para o alívio destas dores, encaramos bem este procedimento e encorajamos todos aqueles pais que vem enfrentando este problema.

Assim como fizemos com a Sofia, recompensamos com uma surpresinha, a Marta ficou muito feliz com a Equestria dela e nós emocionados com pergunta dela: “é para a Marta?”.

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Faceira com a surpresa
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O que um bebê precisa? Reflexões de um terceiro enxoval

30 semanas de gestação do Benício e ainda não tenho berço montado, nem lençol comprado, nem bolsa de maternidade pronta, nem pensei ou comprei a primeira roupa que usará quem dirá a que sairá do hospital. Serei relapsa? Uma péssima mãe? Desligada? Mega ocupada com trabalho?

Venho acumulando culpas pensando que já deveria ter tudo isto pronto mas ao mesmo tempo tenho a certeza que tudo isso e mais um pouco estará pronto quando esse bebê chegar. Para que isso aconteça acho que é preciso pensar no amor de mãe e no que isso envolve.

O amor que uma mãe sente pelo filho que está na barriga, quando este é o primeiro, é permeado de incertezas, inseguranças e dúvidas. Como ele será? Como eu serei? Será que vou conseguir? Será que vai doer? Enfim, parece que tudo isso, junto com o instinto materno que a mãe natureza nos fornece de fábrica, se converte em uma mobilização por preparar o ninho para esperar a cria. Todos estes preparativos que confessei que ainda não iniciei vem dar conta destes sentimentos que inundam a gestante e o “pai gestante” quando o tempo para chegar ao parto vai diminuindo, a barriga pesando e a presença do bebê cada vez mais forte pelos movimentos mais intensos, perceptíveis e visíveis. Lembro que na gestação da Sofia, com 20 semanas já tinhamos o berço montado e o quarto em processo de transformação para receber a moça. Os nossos gatos experimentaram tudo: berço, carrinho, gavetas, roupas, enfim, passaram o pente fino.

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Já o amor pelo segundo filho, é um amor que parece planejado ou predestinado a acontecer. Não é que não haja expectativas ou inseguranças, mas é diferente porque parece que ali já há a certeza do amor e a dúvida fica: Será que serei capaz de amar tanto quanto amo o primogênito? Será que conseguirei me dividir em duas?  Será que será do mesmo jeito que foi com o primeiro? Isso tudo repercute nos preparativos da espera do segundo filho: aquilo tudo que começou acontecer na vigésima semana na primeira gestação, com a gravidez da Marta começou lá no alto da semana 35. Nesta gestação viajei para a Europa sem medo de ser feliz, bem lá na vigésima semana, caminhei bastante, fui a congresso, apresentei trabalhos, lembro de me preocupar mais com a saúde da Sofia (otite e consulta médica em plena Espanha) do que com a minha gestação ou cuidados especiais por estar “gravidinha”. Isso não se configura em desleixo e sim tranquilidade com a minha condição. Tinha um misto de pena e/ou culpa de ter de reconfigurar o quarto da Sofia para ser o quarto da Sofia e da Marta, fazer mudanças em um lugar que até então estava ocupado por somente uma criança, me sentia traidora (pronto, falei!). Com isso, fomos montar o berço, arrumar a cama, preparar a mala bem lá no final mesmo e deu tudo certo.

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Com o terceiro, o que dizer do amor? Digo que é um amor surpresa, um amor inesperado, um amor que chega aos poucos e que vem conquistando no susto. É diferente porque está sendo uma experiência com uma gravidez de menino (até o formato do corpo e as vontades de comer são diferentes). Dúvidas e incertezas estão presentes: como serei mãe de menino? Como será este amor por um outro homem que não o Ítalo? Como será educar um menino? De verdade, não tive ataques como tive com as gurias em sair para comprar roupinhas, criar estilo, comprar laços. Ainda não comprei nenhuma roupa para o Benício, só um babeiro preto de caveirinha. Devo estar menos ansiosa, mais tranquila, mais segura e com mais dores nas costas. Esses dias disse ao Ítalo que tinha a sensação que ele chegaria antes do tempo e mesmo assim ainda não tinha nada arrumado, sabe o que ele me respondeu: “mas Camila, é só arrumar, em 10 minutos se faz. Se tu tiver que ir para o hospital, vou pra casa e pego as coisas e trago“. Simples e objetivo. Por que complicamos tanto?

Passado o rito do “chá de fralda,”que nas minhas gestações vivi como um momento de celebrar com amigos e familiares, cada vez me convenço mais de que o bebê mais precisa é de pais tranquilos e seguros de suas escolhas. Não tem fraldas? Vai no mercado e compra como se compra papel higiênico. Camisola especial para o hospital? Ninguém está doente, pode usar roupa normal! Kit berço? Será que precisa tudo aquilo? É claro que é preciso preparar o cenário mínimo, com alguns artigos básicos, para receber este novo membro mas como diz a autora francesa Françoise Dolto “o bebê não precisa mais nada além de um berço e uma caixa para não ficar uma bagunça pela casa toda“.

É nesta fala que tenho me inspirado e me convencido de que não há porque se sentir culpada por não ter o berço ainda preparado, fofinho e cheiroso esperando o Benício, isso vai acontecer. O espaço externo já está sendo mexido: já mudamos de quarto, já temos prateleiras e gavetas destinadas a cada um dos três, herdamos roupinhas de outros bebês e estamos contabilizando o que falta comprar para completar este mínimo necessário. Acho que dá para dizer que o espaço interno está sendo conquistado e ocupado, com expectativas, com o espírito de novidade e dando conta de administrar que esta chegada seja especial para todos nós.

 

Sendo pais e o cotidiano num fim de semana: é cansativo demais!

Fim de semana começa com os preparativos do café da manhã: adoramos está refeição, ainda mais com o tempo que o fim de semana permite. Já começa sendo trabalhoso que a mesa fique bonita, atrativa, tipo de “revista” quando é preciso intermediar um pequeno conflito entre irmãs por um livro de pintar. Quando a mais velha senta, a mais nova levanta e começa a perambular, logo deita no sofá e começa a pedir mamá (talvez o terceiro desde a hora que levantou). A refeição segue seu curso, eu e o marido comendo e tomando nosso café e o povo já circulando. É assim, alguns dias ficam mais outros menos, comem meio de pé, deitadas,…, enfim… Sabemos que chegará a hora que estarão à mesa 100%, de verdade isso não me preocupa.

Para promover um brincadeira legal, monto as barracas, uma na mesa e um iglu: panorama caótico! Uma quer entrar na barraca da outra, uma não deixa a outra entrar na sua barraca, os gatos tentam entrar nas duas barracas. Para dispersar a pequena, convido para me ajudar a fazer almoço: deixo que mexa no pote de arroz ( a experiência de enfiar a mão dentro do pote de arroz é uma sensação que me lembra a infância, quando ia nos armazéns, mercados com a minha mãe, onde tinha grãos a granel para vender). Resultado: arroz pelo chão. Consigo que a pessoa se acalme e volte para a sala, já com vontade de chupar um bico, curtir um desenho na TV e se aquietar um pouco antes do almoço.  Nesse meio tempo a outra está jogando memória dentro da barraca.

Fim da tarde, decidimos que vamos contar as moedas do cofrinho para comprar um livro de história para a hora de dormir. Já fazem umas semanas que conseguimos que as gurias venham tipo 21:30 para o quarto ouvir uma história antes de dormir. Cada dia, uma de nós conta a história (às vezes são 2, 3 ou 4 histórias, haja interepretacao) e encerra o que chamamos de “procedimentos noturnos” (escavação de dentes, escolha do livro e a história). Geralmente, o sujeito que está nesta tarefa ali fica, até meados da madrugada, dorme exausto. A vontade era de encerrar os procedimentos, retornar à sala, assistir qualquer coisa na TV, tomar um vinho ou mesmos ler um livro (talvez linhas de um capítulo de um romance que está na cabeceira há semanas e que não avança) mas o corpo não aguenta, o cansaço da semana não deixa. Eu, mal consigo me levantar  da cama da Marta porque é muito baixa e a pança de 29 semanas me acarreta a dores lombares fortíssimas, ainda preciso de um auxílio guindaste para sair do quarto. Sem contar o sono acumulado, hormônios, …

Não seria menos cansativo colocar a dupla a assistir um desenho no Netflix no iPad? Ou deixar adormecer no sofá e depois e depois levar à cama?

Hoje de tarde a minha “siesta” se garantiu porque a pequena dormiu o soninho depois do almoço e a grande ficou vendo DVD na sala. E a quantidade vassouras que passamos na casa hoje para recolher os farelos das andarilhas e os arrozes do chão?

Confesso que não sei de onde tiramos energia para isso tudo. Vejo que vale a pena este esforço porque penso que é nestas pequenas coisas que a infância vai se significando para as crianças.  Talvez pela minha profissão, em todas as fases, desde a gestação até os primeiros anos, leio muito e especialmente agora tenho lido uma francesa chama Françoise Dolto (“Quando os filhos precisam de pais“). Entre outras mil coisas, ela tem um capítulo que fala da leitura e sua disputa com as outras midias. Fala da importância da leitura para os bem pequenos, quando realizado pelos pais e que isto encaminha para o gosto futuro pelos livros.

Quero que este hábito perdure e que meus filhos disfrutem da leitura. Possibilitar que vivam momentos e estas experiências de aprendizagem com os pequenos detalhes do cotidiano nos mostram que vale a pena este cansaço!

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Créditos fotos: Giselle Sauer